"Estas medidas não são medidas agradáveis para ninguém, mas medidas que, perante as expectativas criadas pela situação do país, são um pouquinho mais suaves do que aquilo que estava previsto", assinalou o ex-líder do PSD em declarações à agência Lusa, depois de o ministro das Finanças, Vítor Gaspar ter anunciado um "enorme aumento de impostos" para o próximo ano..Segundo Menezes, através das alterações na Taxa Social Única (TSU) ia ser retirado "sensivelmente um salário anual" ao rendimento dos trabalhadores por conta de outrem, mas através do regime de progressividade do IRS, hoje anunciado, "trata-se de um pouco menos de um salário anual"..Para além disso, é retirada "aquela carga negativa, que era aliás o fundamento mais importante da crítica, de se estar a retirar salário aos trabalhadores para o dar de forma indiscriminada às entidades patronais, necessitassem elas desse apoio ou não", sublinhou..Já para os funcionários públicos, a introdução da progressividade do IRS "faz com que os trabalhadores em geral, mais de 90 por cento, que tinham dois salários por inteiro retirados do seu rendimento familiar, agora tenham um pouco menos de dois salários", ou seja "recuperarão um pouquinho de um dos salários".."Evidentemente que ainda é muito pouco mas é aquilo que a situação do país permite", salientou o também autarca, lembrando que "tudo isto é uma consequência da gestão calamitosa dos governos anteriores, nomeadamente do último governo que governou Portugal"..Menezes frisou ainda que não se pode "apagar a história nem as situações calamitosas como estas que hoje estiveram nas primeiras páginas dos jornais", referindo-se à "decisão política altamente gravosa para os portugueses de nacionalização do BPN e posteriormente da forma de gestão encontrada para desenvolver o projeto de reequilíbrio desse banco".."Sem BPN e sem, por exemplo, PPP (Parcerias Público Privadas) da maneira como foram concebidas, os sacrifícios dos portugueses hoje seriam diametralmente diferentes", referiu..O social-democrata defendeu ainda que as medidas hoje anunciadas não representam um aumento de austeridade mas "uma manutenção do nível de austeridade" e "têm que ser tomadas, por este governo ou por qualquer outro"."Se eventualmente se colocasse a questão de um outro governo, um governo com outra maioria ou de iniciativa presidencial, a única saída era esta. Porque a outra, a de não cumprirmos os nossos compromissos, seria a da completa ruína para todos os portugueses", rematou.